Cuidados na armazenagem da embalagem de papelão ondulado

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Quando uma caixa de papelão chega amassada, úmida ou fora de forma no momento do uso, o problema nem sempre está na fabricação. Boa parte das perdas de resistência acontece durante o período em que a embalagem permanece parada no estoque, antes de ser preenchida, fechada ou transportada. Avaliar a armazenagem de uma embalagem de papelão ondulado apenas pelo espaço físico disponível não garante que o material chegue íntegro ao momento do uso. Umidade, temperatura, tempo de estoque, forma de empilhamento e proximidade com paredes e piso interferem diretamente na resistência que a caixa entrega depois de semanas ou meses guardada.

Uma estratégia de armazenagem adequada precisa responder a uma questão prática: a embalagem mantém, no momento do uso, a mesma capacidade de proteção que tinha ao sair da fábrica?

A armazenagem deve ser planejada de acordo com a operação

Não existe um padrão único de armazenagem para todas as operações. Existe uma forma de guardar a embalagem que preserva o desempenho projetado para aquele produto, aquele volume e aquele tempo de estoque.

Antes de definir o layout do estoque, é necessário levantar as condições reais de uso:

  • Qual é o volume médio de caixas mantido em estoque?
  • Por quanto tempo as embalagens permanecem armazenadas antes do uso?
  • As caixas ficam montadas ou desmontadas durante esse período?
  • O ambiente possui controle de temperatura e umidade?
  • Existe exposição à luz solar direta ou a fontes de calor?
  • As pilhas ficam próximas a paredes externas ou ao piso?
  • O local já registrou histórico de umidade, mofo ou pragas?
  • A movimentação do estoque é manual ou mecanizada?
  • Existe rotatividade definida entre lotes mais antigos e mais recentes?

Esse levantamento orienta o tipo de proteção necessária, da definição do palete ideal ao prazo máximo de estoque. Sem esse diagnóstico, o risco é armazenar toda a embalagem da mesma forma, independentemente do produto, do clima da região e do tempo real de permanência no estoque.

Umidade: o fator que mais reduz a resistência durante a armazenagem

O papelão ondulado é um material higroscópico, ou seja, absorve umidade do ar. Conforme essa absorção aumenta, a capacidade da embalagem de suportar carga vertical diminui, mesmo sem contato direto com água.

Os testes de resistência utilizam como referência uma condição controlada de 50% de umidade relativa e 23°C, ponto em que a embalagem apresenta sua resistência plena. À medida que a umidade relativa do ambiente de armazenagem sobe acima desse patamar, a perda de resistência se torna significativa, principalmente em galpões com pouca ventilação, em câmaras frias ou em períodos de maior variação climática.

Alguns pontos concentram a maior parte do risco:

  • Caixas em contato direto com o piso, sem palete
  • Pilhas encostadas em paredes externas
  • Ambientes com pouca ventilação ou pouca luz natural
  • Proximidade com câmaras frias ou fontes de condensação
  • Períodos de chuva ou de umidade relativa elevada na região
  • Ausência de proteção contra respingos, goteiras ou vazamentos próximos

Manter as caixas sobre paletes, afastadas das paredes e em ambientes ventilados reduz a exposição à umidade e preserva a resistência prevista na especificação original da embalagem.

Temperatura: calor e variação térmica também comprometem a estrutura

Assim como o excesso de umidade, a exposição a temperaturas elevadas ou à luz solar direta compromete a estrutura do papelão. O calor intenso resseca os papéis, deixa as fibras mais quebradiças e pode enfraquecer a colagem entre a onda e as capas externa e interna.

Ambientes com grande variação de temperatura ao longo do dia também representam risco, pois submetem o material a ciclos sucessivos de expansão e contração. A faixa mais adequada para a maioria das operações fica entre 20°C e 25°C, com umidade relativa controlada, sempre que a estrutura do galpão permitir esse tipo de climatização.

Quando o controle total de temperatura não é viável, medidas como cobertura adequada, distância de janelas e afastamento de fontes de calor direto, como motores e equipamentos industriais, já reduzem parte do impacto.

Empilhamento correto preserva o BCT projetado para a embalagem

A forma como as caixas são empilhadas interfere diretamente na resistência vertical que a embalagem consegue entregar. Grande parte dessa resistência está concentrada nos cantos e nas arestas da caixa, por isso o alinhamento entre as camadas tem impacto direto no desempenho.

Camadas desalinhadas reduzem a área de contato entre as caixas e concentram a carga em pontos que não foram projetados para suportá-la. Um desalinhamento de apenas alguns milímetros entre as camadas já é suficiente para reduzir de forma expressiva a resistência à compressão da pilha.

Alguns cuidados práticos evitam esse tipo de perda:

  • Utilizar sempre paletes, nunca apoiar as caixas diretamente sobre o piso
  • Manter uma distância mínima das paredes para reduzir a absorção de umidade
  • Alinhar verticalmente as camadas, formando colunas retas
  • Respeitar a altura máxima de empilhamento definida para cada especificação
  • Evitar deslocamento lateral entre paletes ou lotes diferentes
  • Sinalizar visualmente a altura e o peso máximo permitido por pilha

Esses cuidados evitam que o empilhamento se torne o fator limitante da resistência, mesmo quando a caixa foi corretamente especificada para a carga que vai receber.

O tempo de armazenagem reduz a resistência, mesmo em condições ideais

Além da umidade e do empilhamento, o tempo em que a embalagem permanece armazenada sob carga também influencia sua resistência. Esse comportamento ocorre mesmo quando as condições ambientais estão dentro da faixa recomendada.

Levantamentos técnicos do setor indicam que a perda de resistência à compressão avança de forma progressiva ao longo do período de estocagem sob carga, com reduções relevantes já nos primeiros dias e perdas mais acentuadas quando o armazenamento se estende por semanas ou meses. Dados consolidados por entidades do setor, como a Empapel (associação que sucede a antiga ABPO), reúnem esse tipo de levantamento sobre o comportamento do papelão ao longo do tempo de estocagem.

Não existe uma norma legal brasileira que determine um prazo de validade para a embalagem de papelão ondulado, mas esse comportamento reforça a importância de não tratar o estoque como um espaço neutro. Na prática, isso significa definir um giro de estoque que utilize primeiro os lotes mais antigos, evitar o acúmulo de caixas montadas e carregadas por períodos muito longos, e revisar a margem de segurança da especificação quando a operação exige armazenagem prolongada.

Sinais de que o lote armazenado foi comprometido

A inspeção do lote antes do uso ajuda a identificar embalagens que perderam desempenho durante a armazenagem, mesmo quando saíram da fábrica dentro da especificação. Alguns sinais merecem atenção antes de liberar o lote:

  • Abaulamento ou ondulação visível nas faces da caixa
  • Manchas de umidade ou variação de cor nos papéis
  • Cantos amolecidos ou que cedem ao toque
  • Odor diferente do característico do papelão
  • Descolamento entre a onda e as capas externa ou interna
  • Fragilidade nos vincos ao dobrar a caixa
  • Variação perceptível de peso entre caixas do mesmo lote

Identificar esses sinais durante a inspeção, antes do preenchimento e do transporte, evita que uma falha de armazenagem só seja percebida com o produto em rota, ou pior, apenas quando chega danificado ao destino.

A resistência de uma embalagem de papelão ondulado não depende apenas do BCT, do ECT, do tipo de onda ou da gramatura definidos na especificação. Depende também das condições em que essa embalagem permanece guardada até o momento do uso.

Um projeto de embalagem tecnicamente correto pode ter seu desempenho comprometido por um estoque úmido, mal ventilado, com empilhamento desalinhado ou com tempo de armazenagem além do previsto. Nesses casos, a falha aparece no transporte ou na entrega, mas a causa está no armazém.

Tratar a armazenagem como parte da especificação, e não como uma etapa neutra depois da fabricação, reduz avarias, evita desperdício de material e aumenta a previsibilidade da operação como um todo.

O Departamento de Desenvolvimento Técnico da Salute Embalagens avalia as condições de armazenagem de cada operação para definir a especificação de papelão ondulado adequada ao produto, ao tempo de estoque e à rota. Quem quiser levar as condições reais do seu estoque para análise pode falar com o Departamento de Desenvolvimento Técnico.

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